sexta-feira, 16 de julho de 2010

Aviso aos navegantes

Como diria um historiador nato, contextualizar é preciso.

Qualquer coisa que você perguntar a um sujeito com essa formação correndo nas veias, dificilmente terá como resposta algo objetivo, sem contextualização prévia. Eu diria que é quase impossível para alguém assim explicar algo sem situar muito bem os fatos, afinal, dessa forma, seu interlocutor compreenderá melhor o assunto tratado.

Você pergunta como é possível que no Congresso brasileiro haja tanta corrupção, esperando uma discussão que gire em torno da falta de participação política da maior parte dos brasileiros, de questões envolvendo a educação básica ou ainda alguma responsabilidade envolvendo a mídia, mas não, o cara vai muito mais longe e, assim, começa a te explicar que essa situação tem raízes na formação do Brasil desde a época da colonização pelos portugueses, disserta sobre o momento político em que o Brasil deixou de ser colônia e passou a ser "Império" e por aí vai, até chegar aos tempos atuais.

Calma, existe um mito que talvez seja comprovado um dia: nem todos os formados em História são prolixos ou viciados em contexto.

Quanto a mim, aviso aos navegantes deste blog sobre algumas coisas que sempre encontrarão por aqui, e um pouco dos porquês disso.

E veja, não se trata de justificativas, o objetivo é contextualizar você.

1. Filhos.
Sim, tenho dois, sou ultra-coruja, mas para além das corujices sou educadora e estudiosa da educação e mãe bem-sucedida. Então falarei muito por aqui de nossos filhotes e assuntos afins, como educação, dilemas pais e filhos, a dureza que é educar filhos bem-educados nesse mundo complexo e complicado e tudo o mais.

2. Classe média.
Sim, concordo que não existe apenas uma classe média, que existem infinitas nuances quando pensamos as classes médias e que, nesse e em outros sentidos, o termo burguês é extremamente limitado quando utilizado nos termos que normalmente são usados por pessoas consideradas antiquadas politicamente, mas como uma quadrada que sou, adoro utilizar esse termo, porque acho que ele fala por si, por assim dizer.

3. Questão racial.
Se você gastar seu tempo por aqui, é possível que pense em alguns momentos "por que essa branca se preocupa tanto com isso", mas sim, a questão racial é algo que discuto e reflito e denuncio o tempo inteiro, talvez porque eu não acredite, em certo sentido, que haja realmente brancos no Brasil, talvez porque me incomode a ideia de que alguém acredite (ainda) que há democracia racial no Brasil, talvez porque eu ache que alguém que pense algo similar ao que citei no início do parágrafo realmente precisa ser incomodado com assuntos sobre a questão racial.

4. Gênero.
Sim, para mim a questão de gênero está presente em tudo e acho que é muito importante perceber as sutilezas nas quais, o tempo todo, aparecem questões que mostram como o machismo e a violência estão incrustados nas relações.

5. OutrAs.
Além disso, como já me falaram muitas pessoas queridas, eu sempre tenho algo a pitacar sobre tudo. Então farei isso aqui, palpitarei sobre tudo, inclusive o que nem é de minha alçada, como sobre filmes, montagens, a internet, enfim, tudo o que gosto de ficar analisando, que me chama a atenção e que em minha opinião pode contribuir, de alguma forma, para o tempo de quem, como eu já disse, gastar um pouco de seu tempo por aqui.

11 comentários:

Renan disse...

Por que o item cinco é "OutrAs"?

Jany Canela disse...

É uma provocação, eu quis dar destaque ao gênero, por isso o "A" está em caixa alta. Sei que pode ser exagero, mas a Língua Portuguesa tem seus machismos, mesmo eu estando enumerando "coisAS" e não "coisOS" acho que dificilmente alguém perceberia o suposto erro de concordância se eu usasse "OutrOs" ao invés de "OutrAs" porque está meio implícito no nosso imaginário da língua escrita; eu, pelo menos, não lembro de ter visto um item "OutrAs" antes, ao passo que "Outros" é mais comum, porque remete a termos como "Outros assuntos, outros temas, outros itens"; nunca vi "Outras coisas".

Juliana Caldeira Monzani disse...

quanto à questão racial só vou concordar dizendo apenas uma coisa que não é nem minha, é devidamente apropriada de terceiros (e que terceiros)

Inclassificáveis

Arnaldo Antunes

que preto, que branco, que índio o quê?

que branco, que índio, que preto o quê?

que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?

branco índio preto o quê?

índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos

cafuzos pardos mamelucos
sararás
crilouros
guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis

ameriquítalos luso nipo caboclos

orientupis orientupis

iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos

inclassificáveis

não tem um, tem dois,

não tem dois, tem três,

não tem lei, tem leis,

não tem vez, tem vezes,

não tem deus, tem deuses,
não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos

cafuzos pardos
tapuias tupinamboclos

americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?

que branco, que índio, que preto o quê?

que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,

não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,

não tem deus, tem deuses,

não tem cor, tem cores,
não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos

yorubárbaros carataís

caribocarijós orientapuias

mamemulatos tropicaburés

chibarrosados mesticigenados

oxigenados debaixo do sol

:)

Juliana Caldeira Monzani disse...

p.s. parabéns pelo blog, se tem um pessoa que eu acho que tem algo a dizer é você.
ou seria algA a dizer?

Jany Canela disse...

Jubs, os "Inclassificáveis" complementaram incrivelmente o que eu disse sobre não acreditar que existam realmente brancos no Brasil!
E independente de Algo ou AlgA, estou honrada com esses comentários, muito pertinentes a essa apresentação inicial :)

Rafa Araújo disse...

Jany amore,

Primeiramente parabéns pela apresentação direta, sucinta e convidativa no subtítulo do blog. Com uma descrição clara assim, logo de cara o sujeito internauta já terá conhecimento sobre o conteúdo (ácido, porém muito inteligente) com o qual irá se deparar ao longo de seus textos. Os mais espertos certamente decidirão por seguir o blog ou, no mínimo, visitá-lo com frequência.
Devo relatar que fiz uma busca de seu blog nos sites de busca - pois tinha me esquecido do endereço -, e encontrei apenas alguns concorrentes seus (pelo menos no título), como dois blogs de culinária (http://compoucosalemuitoacucar.blogspot.com e http://muitomuitoacucarcomumpoucodesal.blogspot.com) e um romance de caráter duvidoso (http://muitosaledoisdedosdeacucar.blogspot.com/). Aproveito para sugerir que cadastre seu blog nos sites de procura do Google (http://www.google.com.br/intl/pt-BR/add_url.html) e do Yahoo (http://siteexplorer.search.yahoo.com/br/free/submit?p=fd) para facilitar a localização e divulgação de seu sítio na internet.
Em relação ao "Aviso aos Navegantes", considero que os quatro itens principais que você escolheu para contextualizar seus leitores foram bem escolhidos. Eu ainda acrescentaria duas óticas importantes que você possui e representa com propriedade: a professora/educadora Jany e toda sua experiência no Ensino Educacional para crianças e adolescentes; bem como a atriz Jany, e suas desventuras de longa data (não serei indiscreto em quantificar) nos palcos do teatro e no meio cultural.
No mais, quero te desejar muitos posts com sabores inusitados! Que suas palavras mexam bastante com meu paladar, leitor já fã declarado e ávido por suas já famosas críticas e análises, às vezes adocicadas, porém frequentemente ácidas...

BeijocAs! =))

walbertlustosa disse...

Jany,

parabéns pelo blog, já me inscrevi no feed.

Esse seu quinto item "Outras" me lembrou provocação que fiz tempos atrás aqui na biblioteca; troquei todos os rótulos masculinos que nós usávamos por femininos e imediatamente todo mundo apontou o caráter, digamos, excludente ou sexista da coisa. Fiz assim, onde tava escrito "aluno de graduação" troquei por "aluna de graduação", "ex-aluno" virou "ex-aluna", "funcionário" virou "funcionária". É engraçado mas enquanto todos os rótulos estavam no masculino ninguém apontava esse mesmo caráter excludente ou sexista, a gente aprendeu a ver o masculino como o universal e o feminino como o específico.

Jany Canela disse...

Walber querido, é uma honra ter você por aqui :)
Você vê que coisa essa história da Língua? Ainda bem q ainda há pessoas q notam essas, digamos, sutilezas e não aceitam isso como "universal", tal como você disse. Adorei sua ideia dos rótulos, acho q vou fazer umas provocações institucionais também :D

Carlos Bessa disse...

Eu acho que em têrmos de açúcar até que não está muito a desejar não!
Agora no tocante ao sal...

Anônimo disse...

Uma vez que você se propõe a discorrer sobre questão racial e palpitar sobre filmes eu gostaria de saber o seu parecer a respeito da série "Todo mundo odeia o Chris" apresentado pela Rede Record de Televisão!
Carlos Alberto Bessa

Jany Canela disse...

Oi Carlos, já até sei que episódio vou comentar. Aguarde ;)

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